Não consigo abrir mão

(Achei que fosse conseguir esquecer a Mulher do Meteoro e Estela, mas não consigo, não quero. Proponho uma esquete/cena com a melhor verborragia da história, escrita pelo nosso santo/perturbado tosted. Cacá já sabe o que é ser mãe maluca, Elisa e Estela são a mesma pessoa. Vamos finalmente falar sobre intimidade e fazer esse texto pra valer como ele merece? Toto o que você acha de pensarmos nessa nova unidade?)   

Cena 1 - Fala “mamãe”

Apartamento.

Estela sentada à mesa, em frente a um despertador. Observa o aparelho atentamente. Tic-tac-tic-tac-tic-tac...

O despertador toca. A menina bate com ele na mesa, quebrando-o. Começa a desmontá-lo, curiosa.

A Mulher do Meteoro entra, carregando uma porção de barrinhas de cereal. Coloca-as sobre a mesa de sua sala. Observa-as. Sai.

Retorna, carregando uma porção ainda maior de barrinhas. Coloca-as sobre a mesa. Acende um cigarro e as observa. Sai.

Retorna, trazendo consigo iogurtes, shakes, vitaminas, guaranás em pó, chás em lata e compostos alimentícios orgânicos. Coloca-os todos sobre a mesa e os observa. Saca um Iphone do bolso e tira um selfie com todos os produtos. Posta na rede. Recoloca-se na frente dos produtos e tira outro selfie. Posta na rede. Aproxima-se de Estela e tira um selfie das duas juntas com os produtos. Posta na rede. Recoloca-se na frente dos produtos com a menina, e outro selfie. E outro, e outro, e outro...O Iphone toca.

Ela atende de pronto, jorrando palavra.

A MULHER DO METEORO – BOM DIA, AMADA! Bom dia, isso, legal, bom dia, já viu, né?, viu ou não viu, responde!, que bom, isso,vai falar que tá bonita a novidade né, fala logo, á bonita mesmo, brigada, nada, que isso, magina, sucesso, lógico, me escuta! Você vai ficar louca!  Simples, consumíveis, convenientes, saborosos, relevantes e duplicáveis. Duplicáveis, meu amor, isso! Que se divide, amada, vira dois, depois vai virar quatro, oito, dezesseis, muitos, milhares, milionáres, é isso! Desde ontem. Me ligaram, não-sei-quem me indicou, “disseram que você é uma pessoa criativa”, aquela coisa, enfim, cheguei lá, gostei, fechei acordo, tudo certo. Senta e ouve essa: mercado com crescimento de 391% ao ano. “Meteoro”! Mas em que planeta você vive, extraterrestre? “Meteoro- a autonomia da rocha cósmica”. (retira do bolso um folder do METEORO e o lê) “Hoje as pessoas estão abertas pra escolhas. Você está aberto pra escolhas? Quais são as suas escolhas? Pra quais lugares você quer viajar? Como você vê o seu futuro? Quais são os seus sonhos? Quais são os seus sonhos para o trabalho?” Amada, quais são os seus sonhos para o trabalho? (gargalha de desprezo) Sonho grande, amada, por favor! Mas tá bom, pode ser também, porque,ó, escuta: “Para concretizar o seu sonho de autonomia no trabalho, a Meteoro e seus distribuidores independentes  não estabelecem qualquer relação de vínculo empregatício ou de representação. A empresa distribui os seus produtos por sistema de vendas diretas”, sistema de vendas diretas, entendeu? Autonomia!, “fornecendo aos seus clientes uma arrojada oportunidade de negócio...”.

Toca outro celular dentro da bolsa. Ela pega de prontidão e atende. Jorro de palavras.

A MULHER DO METEORO – BOM DIA, QUERIDO! Ih, de tudo, barrinha, vitamina, proteína, sais minerais. Do que que é feito? Ó, tudo feito de, pera aí, xô ver aqui (pegando uma barrinha da mesa) pera áí... do que que é feito? (a tabela das informações nutricionais é muito pequena, ela não consegue ler) Ai, feito dessas coisas, barrinha, vitamina, proteína,sais minerais, soja, né?,que falam,  enfim, coisa boa. O diferencial? Porque é saudável, querido. Esse é o ponto. Ó, tá dizendo aqui: “ideal para o seu ritmo saudável e dinâmico”. Quer dizer: é natural, mas é dinâmico. Não fica aquela coisa parada de fazenda, cavalo, vaquinha pastando, nada! Esse é o pulo do gato! (A ligação cai) Alô? Caiu.

Toca novamente. Ela atende.

A MULHER DO METEORO – pulo do gato, isso!,o gato tá lá, indeciso se consegue ir de um telhado pro outro, mas ele pula!, não pode pensar, tem que agir!, você já viu um gato pulando, bonito?, o salto, isso, do gato, bem alto, o topo, Isso, topo, escalada, escalada, topo, me ouve. (lendo o folder) “A Meteoro oferece a você uma oportunidade de negócios na qual você lucra com a revenda de produtos de altíssima qualidade. Praticidade e conveniência. Uma oportunidade seis estrelas” Equilíbrio-variedade-moderação, esse é o tripé, né, que eles falam, tripé, a base, com certeza, sólida, princípio verde, acho ótimo, diferencial, tá certíssimo, o quê, do gato?, é, o pulo, o salto, isso, dá pra galgar, não para, vai galgando. Funciona assim, ó: você começa sendo bronze, mas em uma semana já consegue passar pra Silver, se você duplicar os ganhos. Aí vai vendendo, vai duplicando, passa a ser vendedor Gold, Gold já é luxo, né?, imagina, e vai indo, Ruby, Esmeralda, Diamond, White Diamond e Black diamond e, por último... Power Meteoro! Já imaginou? Se é possível? É possível! Até hoje ninguém chegou lá, mas é possível. O máximo que conseguiram foi Black Diamond. Ontem tinha um Black Diamond na reunião. Discretíssimo, ele.

Toca um terceiro celular em alguma parte da roupa dela, ela atende. Jorro.

A MULHER DO METEORO – BOM DIA, MEU ANJO! (pausa) Mamãe? Oi mãe (silêncio) Hoje? (pausa) Ah, sim, a foto. (tempo) É, postei agora a pouco. (tempo) Nós duas. (tempo) Tá aqui, na minha frente. (tempo) Juntas. (Observando Estela...) Linda, sim. (tempo) É, tá uma moça, a nossa estrelinha. (tempo) Obrigada. (tempo) Uma data muito especial, claro. Obrigada por me lembrar. (desliga)

A MULHER DO METEORO – Fala “mamãe”.

Estela, distante, vasculhando as engrenagens do despertador embaixo da mesa, não a ouve.

A Mulher sai. Retorna trazendo um par de asinhas rosas, tira Estela debaixo da mesa e coloca as asinhas. Observa.

A MULHER DO METEORO Nossa. Que bonita você ficou, Estela, caramba. Que fada mais bonita, hein. Nossa. Pra mim essa surpresa, é?

A mulher pega um batom na bolsa. Passa o batom na boca de Estela. Observa.

A MULHER DO METEORO– Hum. Que fada mais arrumada, hein. Essa elegância toda é pra mim, é? Muito obrigada, Estela. (Observa a reação de Estela, que nem percebe).

A MULHER DO METEORO – Viram a foto que eu postei da gente e acabaram de ligar pra me desejar um dia muito especial. Você sabe por que, não é? (mostrando o celular para a menina) Aqui nós duas, tá vendo? E olha o que comentaram embaixo, Estela. Lê. (pausa) “Feliz dia das mães”. É hoje. (pausa) Fala “mamãe”. (Silêncio. Sai)

Retorna, dessa vez com um embrulho de presente que coloca no colo de Estela.
                                                                                                                            
A MULHER DO METEORO – Pra mim? Não precisava! Poxa, muito, muito obrigada, Ai, meu deus, o que será que é? Tô curiosa. (ela pega o embrulho de volta, abre, e retira mais um celular. Irrompe numa risada escandalosa) Te peguei, hein? Passei ontem na loja e comprei, que agora eu vou precisar é ampliar os contatos. O nome disso é venda direta, Estela, vai aprendendo. Autonomia no trabalho. Seria bom pra você, autonomia, Estela.  A partir de hoje, uma nova fase. Mamãe agora é mamãe-bronze. E não demora muito, vai virar Mamãe-Diamante! Ta?! E depois, o que, o que, depois? Mamãe-Meteoro! (pausa) Fala “mamãe”.

Silêncio.

A MULHER DO METEORO - Você deve tá com fome. Pode comer que isso é tudo mostra grátis. Tem shake, ó, aqui, “shake verde”, toma aqui um shakzinho. Ó, iogurte orgânico, que gostoso, hummmmmm, tem sucrilho também, ai, olha esse. O nome disso é venda direta, Estela, vai aprendendo. Autonomia no trabalho. Seria bom pra você, autonomia, Estela. Que que a gente sempre conversa? Barrinha, pronto! Barrinha que eu sei que cê gosta. Olha só, essa aqui: EVM 32T.... ingredientes... letrinha pequena do inferno... xarope de glicose,antiumectante carbonato de cálcio, estabilizante fosfato dissódico, gordura de palma, açúcar invertido, polpa de banana, oléo de milho, corantes caramelo 1NS150d...

ESTELAA composição.

A MULHER DO METEORO Come barrinha!

A mulher desembala uma barrinha de cereal e coloca diante da boca da menina.

A MULHER DO METEORO – Espera! (pega seu Iphone novo para registrar o momento) Pronto, vai. Mastiga e faz cara de que tá gostando. Finge que é batata frita, vai. Abre a boca (Estela não abre).Estela, larga um pouquinho esse teu relógio, depois você brinca com ele. Vai, abre a boca.

Toca o iphone. Ela atende de pronto. Jorro.

A MULHER DO METEORO – A boca, isso, os dentes, isso, trinta e dois, o canino pra rasgar embalagem com força, gengivite, tá passando, amiga, melhor, o sangramento, insônia, calafrio, sudorese, mau hálito, mas tem uma pasta aqui ótima, dentes fortes, isso, poderosa, guerreira, mordida de tigre, claro,se ainda tem dente de leite?, não,nada, tá virando mocinha já,tá qui do meu lado, tâmo, claro, aproveitando muito, muito, especial, brigada, querida, vou chamar aqui, beijo. Quer falar com você. (passa o Iphone para Estela. A menina observa o aparelho, curiosa) Fala. (sussurrando no ouvido da filha) Fala “mamãe” pra ela ouvir.

Estela não move os lábios. A Mulher pega o Iphone de volta.

A MULHER DO METEORO – Hoje tá difícil. Tá longe demais. Em outro planeta, aquela coisa. Depois ela te liga, pode deixar. (desliga)

Tempo...

A MULHER DO METEORO – Minha fada... vivendo num mundo encantado. (pausa) As fadas crescem, Estela? As fadas... elas falam que língua? Dividir apartamento com um ser mágico...eu sempre agradeço aos céus por esta oportunidade, meu amor (Estela olha para cima) Fala “mamãe”. (Desiste, bufa e sai)

Um Iphone toca dentro da bolsa da mulher. Curiosa, Estela se aproxima. Abre a bolsa e afunda a cabeça nela.


Cena 2 – Lixo, tempo e sangue

Estela emerge a cabeça de dentro da bolsa trazendo entre os dentes um Iphone. Segura o aparelho, atende, fica na linha em silêncio por um tempo e desliga. Começa a desmontá-lo: capinha, bateria... Descobre o chip. Observa-o por um tempo e depois o esconde na calcinha. Começa a desmontar os outros que estava na mesa também. Monta o Iphone novamente e coloca na bolsa da mãe.
A Mulher do Meteoro retorna trazendo um kit dado os distribuidores da Meteoro. Desembala, enquanto fala.

A MULHER DO METEORO– Ontem foi tão bonito... Fazia tempo que mamãe não chorava, sabia? Quando chamaram o Black Diamond pra falar da trajetória dele, você tinha que ver. Rapaz calmo. Garoto, um moleque, nada de mais. Mas uma voz...Voz de líder. Todo mundo em silêncio... (cafona) e a cada palavra que saia da boca dele, os meus olhos iam ficando mais cheios d´água. Palavra, água, água, palavra. Aquele ali nasceu pra comunicar.

Tira uma camiseta do kit e a veste em Estela. Nela está estampada a palavra AUTONOMIA. Beija a cabeça da filha e sai. Estela pega outro celular na mesa, começa a desmontá-lo. Tira o chip e esconde na calcinha. Monta
de volta.

A MULHER DO METEORO (voltando, trazendo um relógio despedaçado nas mãos) – O bicho-papão que mora no meu armário resolveu pegar o relógio da cabeceira e brincar de desmontar. (coloca parte por parte do relógio sobre a mesa) Plástico? Lixo. Alumínio? Lixo. Pilha? Lixo.  O papel com os numerozinhos (amassa) Lixo! Eu deixei em cima da tua cama um folder da Meteoro pra você se informar sobre a questão do lixo, Estela. A questão do lixo e a questão da quantidade do lixo que a gente produz hoje em dia, atualmente. A questão do desperdício, que tem muito preconceito envolvido, muita discriminação, preconceito com o lixo, com os sacos de lixo, com os cacos de vidro, esse debate, com os lixeiros, a segurança contra os próprios caminhões de lixo, que não tá sendo fácil, muita violência, muita reciclagem contra a natureza, (Pega uma embalagem de shake orgânico) contra o desmatamento, reciclagem contra o índio, que não foi dada a ele, minha filha, a chance de conhecer a reciclagem, que não tem como saber o que é barrinha, é outra cultura, não tem discussão, mas que já tá melhorando, já é um começo... (Sai)

Barulho repentino de liquidificador. Estela pega outro celular na mesa, começa a desmontar. Tira o chip e esconde na calcinha. O liquidificador silencia. Estela vai montando o aparelho de volta o mais rápido que consegue. Barulho de explosão.

A MULHER DO METEORO – Puta que me pariu!

Estela termina de montar o celular e o coloca sobre a mesa. A Mulher do Meteoro retorna, toda suja de shake orgânico, carregando os destroços de um eletrodoméstico.

A MULHER DO METEORO– Parece que o bicho papão resolveu dar um passeio na cozinha também! Tá vendo isso aqui? Olha! Os três ponteiros, que graça! Hora, minuto e segundo, rodando juntos na centrífuga! É matéria resistente isso aqui! Você já imaginou se eu acabo bebendo isso junto com meu shake? (Vai até a bolsa e pega seu celular. O aparelho não liga. Ela repete o “touch” com mais força, e nada) Isso dá cadeia! É terrorismo psicológico! Covardes!  (vai ao outro celular que também não está ligando. Insiste nervosa, batendo na tela) Mas agora vocês vão falar! Vocês estão na minha mão, sabem por quê?  Porque eu tenho a garantia! (sai) Eu tenho a garantia!

Estela aproxima-se dos três ponteiros melecados de shake que a mãe deixou sobre a mesa. Ela os Lambe.

ESTELA – Doce.

Começa a passar os dedos melados no cabelo. Lambe a mão e puxa a franja para cima. A Mulher do Meteoro retorna, carregando uma lata de lixo eletrônico. Despeja seu conteúdo no chão.

A MULHER DO METEORO– Estela, você se arruma que a gente vai trocar esses cacarecos agora! Cadê a garantia? Olha, a partir de hoje chegou de bugiganga nessa casa, nessa casa bugiganga! Você já é quase uma mocinha, precisa de mais de um por quê?! Acabou essa história de ficar trocando mensagem com amiguinha o dia inteiro! E que amiguinha, Estela, que eu nunca vi nenhuma?!Pra cima de mim?! Cadê a garantia desta merda? (encontra uma bula no lixo) “Rivotril – clonazepan: gotejar com o frasco na vertical e bater levemente no fundo pra iniciar o gotejamento”. Não é isso! (outro papel) “Querido diário: sei que estou viva porque rio e choro”, ah, inferno!  (acha um rolex quebrado no meio do lixo) O meu rolex!  Você depenou o meu rolex! Você escangalhou o meu rolex! (Pega um relógio desmontado no meio do lixo) Olha isso aqui! Você tá conseguindo enxergar as horas? Olha bem fundo e me responde: que horas são?

ESTELA(expondo um incômodo no corpo) Que horas são?

A MULHER DO METEORO - Você tem ideia das horas?

ESTELA(o corpo se debate no chão e a ação do cabelo se torna agressiva) Você tem ideia das horas?

A MULHER DO METEORO -  Você tem ideia de que horas pode ser, Estela?

ESTELA – Estela tem ideia do que as horas podem ser?

A MULHER DO METEORO – Para com isso. (Segura a filha tentando manter o controle)

ESTELA –  Para com isso.

A MULHER DO METEORO – Eu to mandando.

ESTELA(se debatendo) Eu to mandando.

A MULHER DO METEORO – Chega.

ESTELA – Chega mais perto.

A MULHER DO METEORO – Chega mais perto.

ESTELA – Por favor.

A MULHER DO METEORO – Por favor.

ESTELA Eu to pedindo.

A MULHER DO METEORO – Eu to mandando, chega! (Abraça a filha com o corpo tentando acalmá-la)

ESTELA – Chega!

A MULHER DO METEORO – Agora!

ESTELA – Agora!

A MULHER DO METEORO – Mamãe!

Silêncio.

A MULHER DO METEORO-  Eu to indo lá agora! E você fica! Se eu te levar comigo corre o risco do carro chegar todo dividido, pneu prum lado, motor por outro. Tem guaraná natural na geladeira, pode beber, uma delícia. Só não me inventa de congelar engenhoca! (sai)

Tempo...

ESTELA – Mamãe.

A MULHER DO METEORO (volta) – Cadê os chips?

Silêncio.

A MULHER DO METEORO – Engoliu, meu bem? Engoliu, meu bem de consumo durável da mamãe?

Estela abre a boca e mostra a língua.

A MULHER DO METEORO– Tá querendo virar robô? Hein? (aproximando-se da filha lentamente) Bip... bip... bip... bip… (gritando) Mas o que que eu faço com essa geração?!

Levanta Estela da cadeira e a leva até a parede. Apalpa o corpo da filha como faz um policial numa revista.

A MULHER DO METEORO – Mão na cabeça, marginal. (colocando as mãos no bolso da filha) Cadê?

Estela se desvencilha da mãe e corre.

A MULHER DO METEORO – Polícia! Polícia!

A mulher alcança Estela e a coloca de volta na cadeira. Estela se debate.

A MULHER DO METEORO – Esta mulher que te fala, vai precisar ampliar os contatos a partir de agora. Se a cada telefone que esta mulher aqui compra, esta menina aí vai lá e desmonta, esta mulher aqui vai ter que ficar comprando modelo novo sem parar. Tá achando o quê? Que tem  um modelo novo pra vender no mercado a cada dia que passa? Você vai ter que segurar sua curiosidade, cientista.
Vai colocando a mão nos bolsos e não encontrando os chips, coloca as mãos dentro da calcinha da filha. Estela se debate, mas a mãe os encontra. Retira-os. Eles estão sujos de sangue. A mãe cheira os chips. Olha para Estela. Tempo...

A MULHER DO METEORO – Desceu.

Silêncio.

A MULHER DO METEORO – Você virou mocinha.

Silêncio.

A MULHER DO METEORO- Os chips não mentem. Olha. Que escândalo que é um chip com sangue, filha.

Silêncio.

A MULHER DO METEORO – Fala “mamãe”.








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